Linguagem
Uma atividade humana que, nas representações de mundo que constrói, revela aspectos históricos, sociais e culturais. É por meio da linguagem que o ser humano organiza e dá forma às suas experiências.Se entendermos a profundidade deste conceito, entenderemos que não podemos reduzir a linguagem a um meio de comunicação, como normalmente se faz, já que é a partir dela que construímos nossa memória e consequentemente nossa História. Sem linguagem não existiria a civilização como conhecemos.
Língua
O conceito de língua varia muito segundo a corrente teórica que o professe. Para nós, é importante expor os conceitos com os quais nos alinhamos. Abaurre e Pontara (2006:3) entendem a língua como um sistema de representação socialmente construído, constituído de signos linguísticos.A língua é um conjunto de práticas sociais e cognitivas historicamente situadas. Sendo assim, não podemos entender a língua como uma estrutura autônoma, alheia à realidade dos falantes e imutável.
Signo linguístico
Toda língua se compõe de signos linguísticos, que são as unidades de significação que possuem um significante (uma memória acústica de um termo) e um significado (conceito contido em um signo, acionado pelo significante).Naturalmente de uma língua para outra os significantes podem mudar. O que passa desapercebido é que o conceito profundo de um termo também pode ser diferente em duas línguas que comparemos, muito embora se refiram ao mesmo ser na natureza. Isso acontece porque tudo na língua é representação, nada retém as coisas in natura, tudo se realiza como cultura. Assim, quando falamos de uma vaca em português, no Brasil, o conceito será muito diferente do que se terá na Índia, por motivos óbvios. É mais uma vez a confirmação de que a língua é uma representação de mundo.
Norma padrão
Sabemos que todas as línguas variam segundo diferentes critérios (o lugar onde são faladas, a época, o grupo que as utiliza etc.). No entanto, todas as línguas — independente do grau de evolução tecnológica que tenham — possuem uma variedade prestigiada que se utiliza para ter acesso a determinadas instâncias de poder. É o que chamamos de norma culta, norma padrão ou variedade prestigiada.Ao contrário do que possa parecer, a norma culta não corresponde necessariamente ao professado nas gramáticas normativas: é muito mais um ramo de negociações em torno a formas linguísticas que representam o linguajar de uma determinada elite sócio-econômica que impõe sua variedade como o padrão. Cientificamente não se pode falar de uma variedade “melhor” ou “pior” do que a outra. A norma culta existe por conta de pressões sociais que exigem o emprego de uma determinada variedade para determinadas interações na sociedade,É de se esperar, por outro lado, de um candidato a um emprego que requeira o trato com um público exigente que domine o padrão, e cabe à escola possibilitar aos cidadãos essa flexibilidade para trafegar entre as variedadades que cada um possui como herança de sua criação, de suas interações sociais, e a variedade padrão.
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